Noite

Era de noite, quando os corvos pousaram em minhas costas, dando bicadas em minhas orelhas.

O problema não era a falta dela, mas saber que meu dinheiro acabara. E a bebida. E todos os meus sonhos e maços de cigarro.

Os animais queriam conversar, mas era uma noite estranha; tristeza escorrendo como óleo de meus olhos.

Passei a mão em mim mesmo para sentir a minha amada. Suspirei e me sentei debaixo da árvore.

Ao longe ouvi gritos de mulher.

Não, não me abalei, sabia que era ela sendo devorada pelos leões. Olhei para o céu. Caíam raios sobre minha casa. Tudo, de repente, incendiou-se. Acabou.

Fui andando devagar até não enxergar mais nada.

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One thought on “Noite

Pode atirar, meu peito é de ferro retorcido.

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